Lula sugere a Dilma surpreender mercado na economia

Lula sugere a Dilma surpreender mercado na economia A presidente Dilma Rousseff se reuniu com o ex-presidente Lula e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para discutir a nova equipe ministerial. O principal tema do encontro foi a economia, apesar de haver preocupação com o clima de guerra que está se instalando no Congresso entre o governo e uma parcela do PMDB. A sugestão de Lula é que Dilma surpreenda positivamente o mercado financeiro, diante do acúmulo de notícias negativas na economia. Isso significa repetir a estratégia de 2003, quando, ao chegar ao poder, Lula adotou um rigor monetário e fiscal maior do que o esperado pelo mercado e pelo PSDB. Pouco antes da eleição de 2002, quando já estava claro que Lula venceria José Serra, parte do PSDB imaginava que o PT faria bobagem na economia e que os tucanos seriam chamados a socorrer os petistas como fizeram no governo Itamar. Lula indicou Antonio Palocci para o Ministério da Fazenda e o liberou a montar uma equipe que tinha Joaquim Levy e Marcos Lisboa, dois economistas de linha ortodoxa. Henrique Meirelles, que tinha sido eleito deputado federal pelo PSDB, virou presidente do Banco Central. Devido a atritos no governo Lula, Dilma tem resistência a Meirelles. Na formação do primeiro ministério de Dilma, Lula sugeriu a ela manter Mantega na Fazenda e Meirelles no Banco Central, para que houvesse contraponto na equipe econômica. Ela aceitou Mantega, mas não Meirelles. Deu no que deu. Hoje, a resistência ainda existe, mas diminuiu. Meirelles não pode ser descartado para a Fazenda. Outro nome bem cotado é o do ex-secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, que deixou o governo Dilma por discussões com Guido Mantega e com o secretário do Tesouro, Arno Augustin. E ainda pode haver uma surpresa, como o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. Em resumo, o conselho de Lula é surpreender positivamente na economia, para acalmar o mercado. Levar para o ministério nomes com trânsito com o empresariado, parecidos com Roberto Rodrigues e Luiz Fernando Furlan, que foram ministros da Agricultura e do Desenvolvimento no primeiro mandato de Lula. Se conseguir melhorar as expectativas na economia, Dilma ganhará força para lidar com um Congresso que está dando sinais de rebeldia. Ela está ouvindo aliados e auxiliares. A tendência é que anuncie os novos ministros a partir da segunda quinzena deste mês, na volta da viagem que fará à Austrália para a reunião do G-20, o grupo das 20 economias mais importantes do planeta. * A presidente Dilma Rousseff determinou que a equipe econômica autorize um aumento no preço dos combustíveis que não estoure o teto da meta de inflação, que é de 6,5% ao ano. Essa é a condição. A maior possibilidade é que seja um percentual mais próximo de 5%. Um aumento em dezembro teria menos efeito sobre a inflação de 2014 do que um reajuste ainda neste mês. Há um cálculo político que a presidente considera importante. Está sendo feita uma conta de chegada. Hoje, no acumulado em doze meses, a inflação está em 6,75% ao ano. É uma taxa alta e que dá pouca margem para o governo conseguir manter a inflação ao final do ano abaixo de 6,5%. Este é um limite político e psicológico que a presidente não quer ultrapassar, para não terminar o primeiro mandato sendo acusada de ter perdido o controle sobre a inflação. www.ig.com.br

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